Toledo - PR
Agronegócio3 min de leitura

Acordo afasta risco de desabastecimento de fertilizantes na safra 2026/27, mas custos continuam desafiando agricultores do Oeste Paranaense

Novo acordo internacional garante oferta de fertilizantes para a próxima safra brasileira, mas produtores de Toledo e região ainda enfrentam custos elevados e margens apertadas.

Por Redação Gazeta e RegiãoPublicado em 24 de setembro de 2026 às 09:04
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Acordo afasta risco de desabastecimento de fertilizantes na safra 2026/27, mas custos continuam desafiando agricultores do Oeste Paranaense

O início da safra 2026/27 no Brasil e na região de Toledo (PR) está garantido sem riscos imediatos de desabastecimento de fertilizantes, conforme avaliação apresentada pelo governo federal durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, em Belo Horizonte. Apesar da projeção de queda nas importações e das constantes tensões que afetam o comércio internacional, a oferta nacional deverá ser sustentada por estoques estratégicos formados ao longo do ano, pela diversificação de fornecedores globais e, principalmente, por um novo acordo comercial que assegura milhões de toneladas de insumos fosfatados vindos do Marrocos.

No entanto, a garantia de disponibilidade física do produto não resolve o principal desafio enfrentado pelos agricultores paranaenses: os preços elevados dos adubos e a expressiva piora na relação de troca com a produção. As projeções indicam que as importações brasileiras fiquem entre 40 milhões e 41 milhões de toneladas em 2026, representando uma retração de até 12% em comparação às 45,5 milhões de toneladas registradas no ano anterior. Essa diminuição nos volumes ocorre justamente em um momento de expansão da atividade agrícola, com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimando que a área plantada de grãos no país alcance 85,3 milhões de hectares, um crescimento de 2,2% sobre o ciclo passado.

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Para lidar com essa equação de maior demanda e menor volume importado, os produtores do Oeste do Paraná precisarão adotar um manejo ainda mais rigoroso, utilizando os fertilizantes de forma seletiva, recorrendo a análises de solo detalhadas e evitando aplicações acima das necessidades reais das lavouras. Com o Brasil mantendo uma dependência externa histórica que varia entre 80% e 85% dos fertilizantes utilizados, o setor produtivo permanece exposto a oscilações cambiais, elevação nos custos de frete e gargalos logísticos. Dados do setor mostram que, mesmo com a queda de 7,4% no volume importado nos sete primeiros meses do ano, os gastos totais aumentaram 7,3%, impulsionados pela valorização internacional dos produtos e preços médios até 26% superiores aos do período anterior.

Como medida mitigadora, o memorando firmado com o Marrocos estabelece como meta o fornecimento de até 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados para compradores brasileiros entre 2026 e 2027, suprindo cerca de 76% do déficit projetado pelo governo para o setor. Embora a medida traga maior segurança de abastecimento para polos agrícolas fortes como Toledo, a efetivação dos embarques dependerá das condições de mercado, preços e prazos negociados diretamente com os importadores. No médio e longo prazo, a reativação de unidades nacionais de nitrogenados e a futura conclusão de plantas industriais, como a de Três Lagoas (MS), prometem reduzir a vulnerabilidade brasileira, mas, para a safra atual, o produtor local precisará redobrar o planejamento financeiro para proteger suas margens de lucro.

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